“Ele era conhecido, reverenciado mesmo, por seu poder de sedução. Meu pai, até o final decretado por mim, havia se mostrado capaz de encantar mulheres de qualquer idade e de qualquer condição. Impossível imaginá-lo tendo de pagar para se deitar com uma. As mulheres, todas as que teve, eram loucas por ele. Prostitutas são para homens como eu. Eram.
Estendi o corpo de meu pai no sofá e me sentei na beirada, perto de seu rosto. Não sei quanto tempo permaneci olhando para ele, mas foi o suficiente para que guardasse na memória cada sulco de sua face. Depois que cerrei os seus olhos esbugalhados, a expressão de espanto deu lugar a um sorriso. Mas pode ter sido impressão.
Em seguida, telefonei para a polícia. ‘Venham me prender. Matei meu pai.'”

Pág. 28 de ‘O dia em que matei meu pai’, de Mario Sabino (2004)

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Esse de hoje é do primeiro livro do Mario Sabino, publicado quando ele já tinha 42 anos.

(o cara é ex-Veja, atual Antagonista e talvez uma prova – pelo menos por este trecho – de que reacionários também podem escrever boa literatura. ou talvez seja só meu daddy issues falando bem alto).
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dos The Walkmen, o que eu mais curto acompanhar a carreira é o Walter Martin, ex-pianista/baixista da banda.

essa Daniel In The Lion’s Den é uma amostra de como esse cara sabe escrever umas músicas bonitas (e letras mais bonitas ainda).

https://www.youtube.com/watch?v=OgbTLPjcpJE